O senador Flávio Bolsonaro (PL) se apresentou como “o
verdadeiro presidente eleito do Brasil” em uma carta publicada nesta
quarta-feira (28), após desembarcar nos Estados Unidos. Derrotado por Luiz
Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, ele anunciou que pretende comandar
a oposição a partir do território americano.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Lula reeleito com
64,2 milhões de votos, uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões sobre o
adversário.
Além do Judiciário brasileiro e de organismos
internacionais, integrantes da oposição reconheceram o resultado, incluindo o
PL, partido do senador. No documento, Flávio acusa o processo eleitoral de
fraude e atribui ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal
(STF), a ampliação da votação de Lula entre os dois turnos. Entretanto, os
números registrados após a extensão do horário não sustentam essa associação. O
senador também critica Alexandre de Moraes, nega ter fugido do Brasil e
agradece aos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da
Argentina.
Carta associa prorrogação a votos que não vieram do horário
adicional
Flávio afirma que a decisão de Zanin permitiu ao petista
acrescentar mais de dez milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno. A
alegação vincula esse crescimento à prorrogação da votação até as 19h. Contudo, o TSE registrou apenas cerca de 34 mil votos depois
das 17h00, horário inicialmente previsto para o encerramento. Portanto, esse
contingente não explica a diferença mencionada na carta nem seria suficiente
para superar a vantagem final de Lula. Além disso, as campanhas dos dois
candidatos recorreram ao tribunal eleitoral no domingo (25) para solicitar a
extensão do horário. Mesmo assim, o senador questiona a competência do STF para
tomar a decisão e afirma que os eleitores enfrentaram regras diferentes.
Também acusa a campanha adversária de abuso de poder
político, econômico e uso da máquina pública, alegações que apresenta como
justificativa para pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin. O senador Flávio
Bolsonaro (PL) se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil” em
uma carta publicada nesta quarta-feira (28), após desembarcar nos Estados
Unidos. Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, ele
anunciou que pretende comandar a oposição a partir do território americano.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Lula reeleito com
64,2 milhões de votos, uma vantagem de aproximadamente 4,4 milhões sobre o
adversário.
Além do Judiciário brasileiro e de organismos
internacionais, integrantes da oposição reconheceram o resultado, incluindo o
PL, partido do senador. No documento, Flávio acusa o processo eleitoral de
fraude e atribui ao ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal
(STF), a ampliação da votação de Lula entre os dois turnos.
Entretanto, os números registrados após a extensão do
horário não sustentam essa associação. O senador também critica Alexandre de
Moraes, nega ter fugido do Brasil e agradece aos presidentes Donald Trump, dos
Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina.
Carta associa prorrogação a votos que não vieram do horário
adicional
No documento, Flávio acusa o processo eleitoral de fraude. Flávio
afirma que a decisão de Zanin permitiu ao petista acrescentar mais de dez
milhões de votos entre o primeiro e o segundo turno. A alegação vincula esse
crescimento à prorrogação da votação até as 19h00. Contudo, o TSE registrou
apenas cerca de 34 mil votos depois das 17h00, horário inicialmente previsto
para o encerramento. Portanto, esse contingente não explica a diferença
mencionada na carta nem seria suficiente para superar a vantagem final de Lula.
Além disso, as campanhas dos dois candidatos recorreram ao
tribunal eleitoral no domingo (25) para solicitar a extensão do horário. Mesmo
assim, o senador questiona a competência do STF para tomar a decisão e afirma
que os eleitores enfrentaram regras diferentes. Também acusa a campanha
adversária de abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública,
alegações que apresenta como justificativa para pedir a cassação da chapa
Lula-Alckmin.
Senador nega fuga e anuncia atuação política nos Estados Unidos
Ao explicar a saída do país, Flávio relaciona a decisão ao
pedido de apreensão de seu passaporte. Na carta, atribui a medida a uma
perseguição política e dirige acusações a Alexandre de Moraes e à Suprema
Corte. O senador afirma que não existe mandado de prisão contra ele e diz ter
levado a família aos Estados Unidos por segurança. Na sequência, rejeita a
classificação de fuga.
“Quero
deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil”, escreveu.
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro também
compara sua situação à de figuras históricas que atuaram politicamente fora de
seus países. Entre os nomes citados estão Rui Barbosa, Charles de Gaulle e José
Martí. Ao se dirigir aos parlamentares e governadores que apoiou, Flávio
menciona especialmente Rogério Marinho, seu candidato à Presidência do Senado.
Nesse trecho, anuncia que continuará a atuação política do exterior.
“Por
isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e
assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirma.
O documento ainda pede uma reação das instituições
brasileiras e da comunidade internacional. Por fim, o senador promete
pronunciamentos regulares e uma estratégia de mobilização por meios que
classifica como pacíficos e legítimos.
Leia a íntegra da carta de Flávio Bolsonaro
Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional
como o verdadeiro presidente eleito do Brasil. Antes de mais nada, queria
agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao
Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma
terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas
do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.
Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se
concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado
do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula
acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Uma
decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no
apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as
urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes.
Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer
uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema.
Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político,
econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves,
expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.
A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como
num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude
eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente
citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que
muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse,
pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de
origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial
contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da
arbitrariedade e ilegalidade em andamento.
Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei
exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de
Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair
Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e
até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa
que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma
Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.
Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão
contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às
bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de
chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment.
Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica,
censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação
política.
Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece
passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização
política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos,
onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao
governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não
temos mais no Brasil.
Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil,
saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois
calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança
e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e
controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.
Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe
dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano
Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle
liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de
Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela
independência de Cuba a partir de Nova York. Na Venezuela, Juan Guaidó e
Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e
Maria Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se
tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados
como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra
coisa.
Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos
direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus
60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente
eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma
organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a
mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa
nação.
Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice
precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de
perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um
ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em
paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os
Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.
À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está
acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode
ser tratado como normal.
Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger,
e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei
que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da
atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês,
aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.
E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não
estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta
pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos
próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos
uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos,
por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um
regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais
desista.
Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta
não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser
um país livre. E esse dia vai chegar.
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