A Ordem nunca divulgou ou redigiu um manual funerário formal. Contudo, o respeitado historiador e estudioso da nossa tradição, d. Antonio Galera Gracia — também um estimado amigo —, afirma em um de seus artigos que ele examinou epístolas, documentos e outros escritos templários em acervos como o Arquivo da Coroa de Aragão, o Arquivo Histórico Nacional, os arquivos provinciais de Sevilha, Múrcia, Soria e Jaén.
A partir desse trabalho ele conseguiu compilar — senão um manual completo —, um compêndio bastante exaustivo do ritual funerário templário. Segundo d. Antonio Gracia, o rito funerário dos Templários remonta ao dia 29 de março de 1139, data da bula papal Omne Datum Optimum, emitida pelo Papa Inocêncio II, que concedeu aos Templários capelães próprios e permitiu-lhes construir suas capelas dentro de suas encomendas. No funeral templário, estavam presentes todos os cavaleiros e servos, salvo a guarnição encarregada da segurança das posses.
Era costume acompanhar o falecido com um grande círio e um candelabro de sete braços — inspirado no mandamento dado a Moisés, conforme está registrado em Êxodo 25, onde Deus orienta a fabricação de um candelabro de ouro com sete lâmpadas. A simbologia das flores de amendoeira também é destacada. No profeta Jeremias, a flor de amêndoa representa Deus: “porque eu sou assim; mantenho a minha palavra para que a realize prontamente” — uma imagem do renascimento, da luz que precede a primavera, símbolo da vida eterna.
Mas este texto não pretende apenas narrar os funerais dos nossos “irmãos mais velhos”; antes, queremos incitar uma reflexão templária sobre a vida e a morte. Para isso, evocamos os versos de d. Jorge Manrique, cónego de Palência, escritos em 1477 no poema “Coplas à morte de seu pai” (d. Rodrigo Manrique, Grão-Mestre da Ordem de Santiago), que inspiram profunda humildade e contemplação:
“Nossas vidas são os rios que vão dar no mar, o que é morrer; [...] e chegados, são iguais aqueles que vivem pelas suas mãos e os ricos.”
Esses versos nos alertam para a fugacidade de nossos tempos terrenos, para a transitoriedade do poder e da riqueza, e para a inevitabilidade da morte — e nos convocam a viver com propósito, fazendo o bem, pois somente Deus sabe quando chamará cada alma.
Nas Escrituras, lemos em Gênesis 3:19: “Pó és, e ao pó tornarás” — uma lembrança pungente da nossa origem e do nosso destino final.
Também vale trazer à reflexão as palavras de Steve Jobs, pouco antes de sua partida:
“Só posso levar comigo as memórias que foram fortalecidas pelo amor. Esta é a verdadeira riqueza que me acompanhará, me dará força e luz para seguir em frente.”
Novas informações históricas / contexto adicional
A bula Omne Datum Optimum de 29 de março de 1139, mencionada no texto, foi fundamental para os Templários: ela lhes concedeu independência da jurisdição episcopal, permitiu-lhes ter capelães próprios e construir capelas.
Segundo fontes históricas, essa bula foi confirmada diversas vezes posteriormente, reforçando os privilégios da Ordem. A simbologia cristã da amendoeira (“flor de amêndoa”) — usada no seu texto — é consistente com tradições bíblicas: em Jeremias, a amendoeira simboliza a vigilância divina e a palavra de Deus cumprida.
É interessante notar que a ideia de “igualdade diante da morte”, presente nas coplas de Jorge Manrique, ecoa um tema medieval muito forte: por mais poderosa que seja a pessoa em vida, todos são iguais na morte. Essa é uma reflexão profundamente cristã e templária.
Palavras do Grão-Prior
Irmãos, que essas palavras nos inspirem a nutrir amor, fé e boas obras, sabendo que a morte é um portal — e que a vida eterna espera aos que servem com lealdade.
Que assim seja.
✠ ✠ ✠ ✠Salim Tosta
Grão-Prior do Brasil
Grande Priorado Templário do Brasil (OSMTJ) Ordem Soberana e Militar Templo de Jerusalém
A Voz da Nova Cruzada
“Sob o manto protetor de Deus, marchamos firmes na senda da fé, da justiça e da lealdade.”
✠ ✠ Non nobis Domine non nobis, sed Nomini Tuo da gloriam ✠ ✠
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